quinta-feira, 19 de março de 2009

Geração sem avós




Uma das grandes recordações que eu guardo desde criança é a minha relação afetiva com meus avós. Especificamente quero me deter neste momento as figuras das minhas avós. Não que meus avôs não tenham tido um significado para mim, mas é a minha atenção neste momento que me conduz à elas.

Fisicamente as achava um pouco parecidas…ambas possuíam olhos claros, pele branca, estatura mediana. Mas, percebia algo a mais em comum que de certa maneira , o meu olhar e coração de criança as distinguiam de outras mulheres, inclusive da minha mãe: elas eram avós.

A ternura nos seus gestos, o sorriso largo diante nossas exibições para chamar suas atenções, o brilho do olhar ao nos ver saindo do carro indo em direção aos seus braços, a paciência para rever um filme que já assistiu e que estava se reeditando através dos netos, o prazer de fazer aquele bolo de laranja ou de chocolate aos sábados, o qual exalava pela casa inteira um cheiro que não era somente do bolo, mas um cheiro que tinha um significado de lar, de alegria, de afetividade , nos faziam entender a importância das avós em nossas vidas.Com elas, podíamos chorar, dizer o que sentíamos, porque o mínimo que obtínhamos era o seu acolhimento.

Olhando a face enrugada das minhas avós, eu percebia a velhice como algo bonito, natural que fazia parte da constituição da existência humana. Aqueles olhos azuis, cujos brilhos ofuscavam o cansaço das pálpebras, nunca saíram do meu pensamento diante tanta beleza e contraste. Com elas aprendi a olhar as rugas, não como algo que não deveriam fazer parte daqueles rostos, mas ao contrário, como algo que fazia parte do momento delas, em cada estágio das suas vidas. Elas não tinham vergonha de dizerem suas idades, nem muito menos de mostrarem o mapa da sua existência através das rugas que avançavam de acordo com o passar do tempo. Será que elas agiam assim, porque na época não existiam botox, lifting, sculptra,?...ou porque os princípios eram consolidados na aceitação do curso normal da natureza?...

Na verdade, tenho medo da figura da avó cheia de ternura, ser substituída por avós neuróticas, como estou vendo ultimamente. O que observamos hoje, é uma sociedade onde as pessoas seguem como zumbis aos ditames de que o que importa não é obter a felicidade, mas sim a “perfeição”. E nesta linha de raciocínio, ser perfeito é se manter jovem, belo, nem que tenham que comprar a beleza “eterna”. E neste atalho para driblar a velhice, as pessoas se desencontram de si e dos outros. E ai, muitos netinhos perdem suas avós, que de maneira obssecadas, buscam formas de se aproximarem dos netos de maneira errada. Ao invés delas curtirem a reedição dos filhos através dos netos, elas querem buscar reedições das suas juventudes.

Peço à Deus que me ilumine bastante, para ter a oportunidade e o prazer de ser uma avó saudável e carinhosa, para brincar com meus netinhos e permitir-lhes passar as mãozinhas no meu rosto e distingui-lo do da mãe e de outras mulheres.

Enquanto isto vou aproveitando para continuar curtindo meus filhos queridos, enquanto meus netos não vem.

Maryq

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Trata-se de um blog pessoal, onde sinto-me à vontade para falar sobre my way and my journey.

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Eu pensei que me conhecia, mas eu me imaginava. Eu pensei que existiam somente duas Marys dentro de mim. Uma que eu a controlava, outra que me controlava. No entanto, comecei a tirar os véus da imaginação e me dei conta que existem muitas mulheres dentre deste corpo pequeno e frágil. Por isto, ele era tão complexo e vulnerável.A partir daí, comecei a compreender a fala da minha incompreensão, tentando ser menos severa comigo, para ser mais amável e tolerante para aceitar que sou o que sou, sem nenhum compromisso em querer ser politicamente correta para agradar aos outros. Isto me acalma e me faz ver-me diferente. Sou mulher, mãe, profissional, deusa, amante, cidadão do mundo, vivendo intensamente meu universo feminino. Isto é o que chamo de entrega de mim à mim, mesma. Sou seguidora incondicional de Jesus Cristo.

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