segunda-feira, 30 de março de 2009

Ser loira...identidade feminina.

Um certo dia, uma paciente minha de 38 anos, chegou ao consultório após, 3 meses de "desertação", com um sorriso radiante, vestindo uma camiseta com o nome AMOR na frente, e com os cabelos loiros, o que me chamou bastante atenção. Na sessão terapêutica, a mesma revelou que encontrava-se na fase mais feliz da sua vida, por estar vivendo um grande amor. Daí, o motivo de ter pintado seus cabelos de loiro, segundo sua justificativa. Para ela, o estar loira traduzia naquele momento o fogo da paixão, ajudava-a a desenvolver sua sensualidade e a promover momentos inesquecíveis com o seu amado. Simbolizava o desvelamento de uma nova mulher que insistia na procura da sua felicidade.

Falar sobre as loiras valeria um estudo grandioso no aspecto comportamental, dada a relação que as mulheres fazem com a identidade feminina. Ser loira passou a ser sinônimo de sedução, poder e feminilidade.

Lendo os resultados da pesquisa mencionada no post anterior, me moveu a falar um pouco sobre os meus pensamentos e experiência de ser loira.

Em algum lugar se escreveu que as loiras "naturais" irão se extinguir nos próximos anos, dada a miscigenação. Mas, eu fico me perguntando o que é ser loira? ..É uma herança genética? ..É um estado de espírito? ..É um jeito de ser?...é uma disposição afetiva? Pode ser tudo isto e mais alguma coisa, a depender de como as pessoas queiram enxergar e lidar com o tema.
Particularmente, me inclino a perceber o "ser" ou "estar" loira, como uma questão de identidade…um jeito de ser ou um momento da mulher, em particular. Sendo assim, na minha opinião, loira não precisa nascer loira. Ou seja, não precisa ser necessariamente nórdica ou ter uma descendência de olhos claros. Ela torna-se loira pela sua identificação e vontade de dar um significado para si, através do sentido que ela internaliza com o apoio de cabelos claros, independente do que possam pensar sobre ela. O significado é o sentir-se bem com os cabelos claros. Mas,o sentido que os cabelos claros vai revelar para cada uma, irá depender do seu pensar, sentir e estar naquele momento para seguir segura na vida. Alguns psicanalistas enfatizam o lado narcísico desse modo de pensar e ser. Mas, prefiro ver o lado mais simples da questão. Ou seja, prefiro entender como um evento, onde a mulher escolhe entre ser loira, morena, negra ou ruiva. Tudo isto deve passar por uma disposição afetiva, onde não devemos colocar nossa intencionalidade nessas escolhas. Claro que acredito que deva existir motivos para suas escolhas. Afinal, dada a conotação de cada cor de cabelo que cada uma atribui para si, é possível que algumas mulheres possam usá-los como escudo ou personagem em alguns contextos da sua vida. Mas, acho desnecessário ficarmos sempre procurando interpretar o quem tem por trás, dessas opções porque cada pessoa é um mundo. Daí, não vejo porque ficarmos perdendo tempo em classificações, determinações, conceituações.

Mas, entendo que ao mesmo tempo é encantador e difícil ser loira, pois o próprio inconsciente coletivo é confuso acerca das mesmas. Uns tomam-na como o ícone do charme e da sensualidade,outros como o símbolo de mulheres vulgares e burras.

Já vivi situações que me orientaram a mudar a cor dos meus cabelos para desenvolver atividades de consultoria em empresas, uma vez que acreditavam que o meu tipo loiro poderia prejudicar meus compromissos profissionais. Ser loira é ser fatal, diziam. Não combina com a sobriedade do ambiente de trabalho. Ser atraente e ser competente pega mal, para os mais conservadores.

Mas, para desmitificar e defender as loiras, sempre respondi de maneira inteligente aos meus desafios profissionais, sem modificar uma madeixa dos meus cabelos. Aliás, que sociedade controladora é esta que determina até a cor do cabelo que as pessoas devam se apresentar no mundo?

Enfim, a experiência do outro nos atravessa.

Daí, deixo um recadinho para as loiras, morenas, negras, ruivas: Tem alguma coisa verdadeira nas nossas crenças, que nos deixamos ser afetadas por elas. É preciso nos conhecermos mais, para descobrirmos nosso referencial afim de sabermos como agir para que nos sintamos bem. Pois, independente das nossas religiões, raças, crenças, cores de cabelo, profissões tem algo que nos habita de maneira universal: o ser mulher. 0 que importa é que sejamos soberanas das nossa vontades. E se por acaso amanhã, optarmos por morena, ruiva, negra ou loira, é porque nossos momentos, sentimentos, sensações nos solicitam para algumas dessas identidades femininas. E vamos viver os momentos como devem ser, buscando sermos inteiras, verdadeiras e plenas com nós mesmas. Fácil?...não muito....mas, por ai, vamos lidando com a vida.


By Maryq

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Trata-se de um blog pessoal, onde sinto-me à vontade para falar sobre my way and my journey.

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Eu pensei que me conhecia, mas eu me imaginava. Eu pensei que existiam somente duas Marys dentro de mim. Uma que eu a controlava, outra que me controlava. No entanto, comecei a tirar os véus da imaginação e me dei conta que existem muitas mulheres dentre deste corpo pequeno e frágil. Por isto, ele era tão complexo e vulnerável.A partir daí, comecei a compreender a fala da minha incompreensão, tentando ser menos severa comigo, para ser mais amável e tolerante para aceitar que sou o que sou, sem nenhum compromisso em querer ser politicamente correta para agradar aos outros. Isto me acalma e me faz ver-me diferente. Sou mulher, mãe, profissional, deusa, amante, cidadão do mundo, vivendo intensamente meu universo feminino. Isto é o que chamo de entrega de mim à mim, mesma. Sou seguidora incondicional de Jesus Cristo.

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