
Relacionamento é um assunto sério tanto para os homens quanto para as mulheres pelas diferenças de perspectivas como já mencionei no post anterior. O que escrevo aqui é apenas uma maneira de olhar o tema, na minha experiência, nas minhas observações e nos meus estudos. É o meu olhar fenomenológico e não metafísico.
O que leva as pessoas a amarem e sofrerem ao mesmo tempo?
Que sentimento é este que inunda a mente e o corpo aprisionando a alma, em algumas situações, sufocando a capacidade de viver de si mesmo e do próximo?
Que direito de posse adquirimos por encontrar a pessoa que julgamos nos fazer feliz?
Porque a necessidade de segurança é tão intensa por parte das mulheres principalmente, que chegam a afundar as relações devido a controles e regulações?
O que leva as pessoas a mentirem, num contexto onde a confiança é imprescindível para possibilitar segurança e harmonia na relação?
A forma de amar do homem é diferente da mulher?
Eu acredito que independente de ser homem ou mulher, a forma de amar uma pessoa é única e não universal. Pois cada pessoa possui uma história, um percurso de vida que lhe é único. Daí, é natural que cada relação seja rica em especificidades. Dependendo das lacunas trazidas na historicidade de cada pessoa, a satisfação conjugal pode depender do aprofundamento do conhecimento mútuo, do desenvolvimento da capacidade de cada um dos cônjuges para se deixarem influenciar pelo outro, na gestão das emoções e/ou da aquisição de competências relacionadas com a comunicação conjugal.
De um modo geral, as dificuldades associadas a uma “crise conjugal” não surgem da noite para o dia – ainda que, por vezes, os membros do casal possam considerar que o mal-estar está associado a um episódio ou mudança recente. Na verdade, é preciso tempo para que as dificuldades cristalizem e para que a insatisfação tome conta da vida de um casal, fazendo com que apareçam padrões como o sarcasmo, isolamento, o retraimento, o desprezo, o descrédito, a desconfiança ou a atitude defensiva. Ora, se um casamento pode levar anos a deteriorar-se e se a insatisfação conjugal é quase sempre fruto da acumulação de experiências emocionalmente negativas, também não é expectável que a recuperação da harmonia ocorra de forma instantânea. Pelo contrário!
À medida que a insatisfação se instala, os momentos positivos tendem a ser “apagados” da memória dos membros do casal, que se centram nos aspectos negativos e se sentem a cada dia mais desesperançados. Fixam-se, então, no que há de mais negativo no outro e alimentam a expectativa de que é possível mudar o cônjuge.
Identificar claramente os problemas da relação conjugal é muito mais do que um ato de contrição. Dessa análise também faz parte, por exemplo, o reconhecimento de que há defeitos do nosso cônjuge que sempre existiram e com os quais temos que lidar, caso queiramos manter a relação, e a assunção de que nem todos os problemas são solucionáveis.
Mas, se perceberes que trata-se de algo que dificulta a sua expressão natural de ser no mundo, vale a pena refletir sobre o sentido desta relação. Neste momento as pessoas tem que entrar num processo de recuperação do amor e do respeito por si mesmo e na recuperação do respeito e do amor pelo outro. Tem que buscar sentido do abandono da negação sistemática de si mesmo e do outro e da recuperação da biologia do amor , como a maneira ou fio central do seu viver, criando luz e abertura à realidade não pensada.
No meu entendimento vale a pena viver por um grande amor. Mas, um grande amor sobrevive num ambiente saudável,onde a trasparência, verdade e o cuidado pelo outro, torna-se a base de segurança da relação.